4 de setembro de 2026

Brasil participa de pesquisa internacional que busca a cura da hepatite B

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Estudo acompanhará 600 voluntários em quatro países, sendo 150 no Brasil.

Duas universidades públicas brasileiras participam de uma pesquisa internacional voltada à descoberta de novos tratamentos e de uma possível cura para a hepatite B.

O estudo é liderado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne pesquisadores do Brasil, da Índia, do Senegal e de Uganda. No país, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).

Os pesquisadores acompanharão 600 pessoas diagnosticadas com hepatite B ou com a coinfecção pelos vírus da hepatite B e do HIV. Cada país terá 150 voluntários, observados por aproximadamente quatro anos e meio.

No Brasil, 75 participantes serão acompanhados pela equipe coordenada pela professora Tânia Reuter, do Hucam-Ufes. O recrutamento começou em julho e já conta com 40 voluntários. A expectativa é completar esse grupo até o final deste ano, embora o prazo estabelecido pelo estudo vá até meados de 2027.

A pesquisa analisará, em nível celular, o comportamento do vírus e as respostas imunológicas apresentadas pelos pacientes. O objetivo é compreender por que a infecção evolui de maneiras diferentes, identificar características genéticas associadas à proteção e localizar componentes do vírus que possam indicar possibilidades de tratamento ou cura.

“Eu quero descobrir alvos que possam auxiliar no manejo para cura da hepatite B. O que for achado pode ser um alvo para desenvolvimento de fármacos, sejam imunoestimuladores ou imunomoduladores”, explicou Tânia Reuter.

O consórcio foi criado em 2023, teve as atividades suspensas em 2024 e foi retomado no ano seguinte. A etapa brasileira começou em 2026 e deve durar cerca de cinco anos.

Doença pode evoluir sem sintomas

A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e, frequentemente, evolui sem sintomas nas fases iniciais. Quando se torna crônica, pode provocar cirrose, câncer de fígado e morte.

Embora existam tratamentos capazes de controlar a infecção e reduzir o risco de complicações, ainda não há cura disponível para a hepatite B crônica. A Organização Mundial da Saúde estima que 240 milhões de pessoas viviam com a doença no mundo em 2024.

A transmissão pode ocorrer em relações sexuais sem preservativo, pelo contato com sangue contaminado, pelo compartilhamento de objetos perfurocortantes e da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

A principal forma de prevenção é a vacinação, oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde para todas as pessoas ainda não imunizadas, independentemente da idade.

Para as crianças, o calendário prevê uma dose ao nascer e a continuidade da proteção aos 2, 4 e 6 meses por meio da vacina pentavalente. Para adultos sem comprovação de vacinação, o esquema geralmente é composto por três doses.

Fonte: Agência Brasil
Foto: Hucam/Divulgação

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