17 de setembro de 2021

Novo teste é capaz de identificar anticorpos de sete coronavírus humanos

Uma nova forma de avaliar com precisão, e de maneira simultânea, a reatividade dos anticorpos que combatem o vírus da Covid-19 (SARS-CoV-2) e outros seis coronavírus humanos, foi desenvolvida pela empresa científica norte-americana Thermo Fisher, inicialmente preocupada com pacientes transplantados e imunossuprimidos, que estão mais vulneráveis à doença por terem o sistema imunológico debilitado.
O teste, chamado de Protect Covid, ou de LABScreen Covid Plus, seu nome técnico, é um ensaio multiplex semiquantitativo capaz de acompanhar minuciosamente a intensidade da resposta imune após a vacinação ou infecção de Covid-19. Seu diferencial em relação às outras formas de exame da resposta imune está na maior capacidade de evitar falsos positivos ou falsos negativos.
Devido à sua alta sensibilidade e à capacidade de avaliar simultaneamente 11 alvos, sendo cinco alvos proteicos do SARS-CoV-2, quatro outros Coronavírus causadores de resfriados comuns, além das viroses MERS e SARS, o exame torna-se muito mais preciso do que a maioria dos testes regulares ao aumentar sua especificidade. Essa maior precisão é importante para diagnosticar se a resposta vacinal está gerando os efeitos esperados em um paciente, ou se o mesmo ainda apresenta um nível de atividade anticórpica aceitável após determinado tempo de imunização.
Para explicar melhor o assunto, Dr Fernando Vinhal, médico nefrologista com doutorado em Imunologia e Parasitologia Aplicadas pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), e diretor técnico do Laboratório de Imunologia de Transplantes de Goiás (HLAGyn), concedeu uma entrevista ao Diario de Pernambuco. De acordo com Dr Fernando, a possibilidade de evitar falsos positivos e falsos negativos devido à alta sensibilidade do Protect Covid e sua capacidade de avaliação simultânea de 11 alvos é o que torna o teste tão inovador e importante para o acompanhamento da atividade anticórpica dos pacientes.
“Falar de uma resposta imune com base em um único alvo para uma doença de baixa prevalência gera um sério risco em que, na melhor das hipóteses, está informando um resultado falso positivo ou falso negativo. Outro fator é a baixa sensibilidade desses exames, que exigem anticorpos demais para conseguir identificar. No Protect Covid avaliamos cinco diferentes alvos exclusivos para SARS-CoV-2,com uma sensibilidade na ordem de fentograma (fração decimal do quilo)”, explicou.
Outra questão apontada pelo médico é a homologia compartilhada pela família dos coronavírus humanos, que em certas regiões estruturais alcança uma média de 80% de semelhança, detalhe que dificulta a obtenção de resultados precisos nos exames convencionais. Ele argumenta que o Protect Covid, ao aumentar a sensibilidade dos exames, pode ver melhor a intensidade da resposta humoral e evitar reações cruzadas com outros coronavírus, o que leva a maior especificidade e, por consequência, maior precisão nos resultados.
“As estruturas dos coronavírus humanos têm uma identidade muito parecida na proteína externa, que facilita falsos positivos nos resultados. No Protect Covid, além dos antígenos alvos principais do SARS-CoV 2, temos as Proteínas S dos outros seis coronavírus, quatro deles bem prevalentes, totalizando 11 alvos, sendo um deles o anticorpo conhecido como neutralizante (anti-S1-RBD)”.
Erro de resultado pode ser caso de vida ou morte
Para os pacientes idosos e imunossuprimidos, principalmente, um erro de resultado pode ser um caso de vida ou morte, já que a taxa da mortalidade da doença é mais elevada nesses grupos. Pacientes transplantados, por exemplo, têm uma dificuldade de mais de 40% de apresentar uma resposta imune adequada, quando comparado com a imunização feita em outros pacientes.
“Esse ensaio nos norteia para compreensão da presença da resposta imune, principalmente em imunossuprimidos ou imunodeprimidos por doença ou idade. Além disso, nos orienta sobre compreensão da fisiopatologia do vírus em reinfecção e pode nos orientar quanto à capacidade de resposta humoral em diferentes populações, bem como sua sustentação ao longo do tempo e nos diferentes grupos etários ou especiais”, esclareceu Dr Fernando Vinhal.
Segundo ele, a resposta imune é uma linha de proteção bastante complexa, dividida em duas: resposta humoral, feita por modo de substâncias sintetizadas como anticorpos e proteínas inflamatórias; e resposta celular, que pode atuar diretamente ou através dessas substâncias sintetizadas por elas e que se interagem para evitar invasões virais através de anticorpos específicos, ou protegendo células ou ativando suas multiplicações.
“A resposta imune é um misto de acontecimentos. Avaliar a produção de anticorpos é um mecanismo importante e devemos ter cuidado, pois podemos, dependendo da ferramenta, ter interpretação errônea”.
O médico informou que há estudos de vigilância genômica que evidenciam uma queda dos anticorpos produzidos em determinados grupos de pacientes após um longo tempo de vacinação ou infecção (que é uma forma natural de imunização), e que esse cenário é comum na família dos coronavírus. “Isso se deve ao fato que as vacinas são frutos da informação das variantes iniciais do vírus, portanto novas variantes do vírus podem escapar dessa defesa inicial”.