14 de agosto de 2020

Militares reagem a fala de ministro do STF que os vinculou a genocídio

O ministério da Defesa e as Forças Armadas se disseram indignados nesta segunda-feira (13) com as declarações do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que afirmou que o “exército está se associando a esse genocídio” pela gestão da pandemia no Brasil.

“Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e, sobretudo, leviana”, diz nota assinada pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e pelos comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.

Na nota, o ministério afirma que “o ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia” e anuncia que vai levar o caso à Procuradoria-geral da República para que sejam tomadas as medidas pertinentes. “Na atual pandemia, as Forças Armadas, incluindo a Marinha, o Exército e a Força Aérea, estão completamente empenhadas justamente em preservar vidas”, reagiu o ministério.

O ministro Gilmar Mendes fez estas declarações no sábado em uma live organizada pela revista “Isto É”, ao lamentar o vacio no ministério da Saúde, chefiado interinamente pelo general Eduardo Pazuello. “É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”, afirmou.

Pazuello substituiu Nelson Teich, que se demitiu por divergências com o presidente Jair Bolsonaro na gestão da crise do novo coronavírus no país, o segundo em número de óbitos e casos confirmados.

Teich havia substituído Luiz Henrique Mandetta, exonerado por Bolsonaro por defender medidas de quarentena, adotadas em vários estados e municípios para conter a pandemia e por questionar o uso da cloroquina para tratar a doença. Pazuello, que não participa de coletivas de imprensa, nem tem experiência no setor da saúde ao contrário de seus antecessores, nomeou uma dezena de militares para altos cargos do ministério.

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, também reagiu à fala de Gilmar Mendes, afirmando que o magistrado “ultrapassou o limite da crítica” com estas declarações. Bolsonaro, ex-capitão do Exército que não omite a nostalgia da ditadura  (1964-1985), nomeou militares à frente de dez de seus 23 ministérios e 3.000 oficiais no alto escalão da administração pública.

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