7 de agosto de 2020

Acusados do 11 de setembro dizem que confessaram sob tortura e que declarações são inválidas, diz jornal

Suspeitos foram torturados pela CIA e, depois, entregues ao FBI, que obteve confissões ‘limpas’; defesa argumenta que havia uma mistura de responsabilidades dos dois órgãos e que, portanto, mesmo os testemunhos obtidos sem violência são ilegítimos.

Alguns dos acusados de terem planejado os ataques do 11 de setembro alegam que suas confissões foram obtidas sob tortura e que são inválidas.

As informações são do jornal “New York Times”.

No dia 11 de setembro de 2001, a rede terrorista Al-Qaeda sequestrou quatro aviões nos EUA e os jogou contra edifícios em Nova York, Washington e Pensilvânia. No total, quase 3.000 pessoas foram assassinadas.

Os suspeitos pelo ataque foram torturados pela CIA entre 2002 e 2006, antes de serem enviados à prisão da base da Baía de Guantánamo. A partir de então, passaram a estar sob custódia do FBI.

A tarefa do FBI era obter novas confissões, dessa vez sem torturas –os responsáveis por isso ficaram conhecidos como “clean team” (times limpos; em inglês, há uma aliteração nesse nome).

A defesa dos acusados diz que há uma mistura de autoridades que obtiveram as confissões e que não há nitidez a respeito de quais fatos foram revelados em quais circunstâncias.

Esse é o caso de um dos principais nomes do 11 de setembro, Khalid Sheikh Mohammed, que é tido como a pessoa que pensou na estratégia dos ataques.

Mohammed esteve sob custódia da CIA entre 2002 e 2006. Seus representantes legais afirmam que, nessa fase, o FBI também estava envolvido na investigação.

Posteriormente, ele foi levado à base da Baía Guantánamo, em Cuba. Mesmo lá, dizem os advogados, a CIA ainda tinha influência.

A troca de informações entre os dois órgãos implica a inadmissão da confissão de Mohammed, de acordo com a defesa.

Os advogados dizem que os times limpos nunca existiram –sempre se tratou de uma operação conjunta, afirmam.

O FBI teria dito à CIA quais questões deveriam ser perguntadas quando os acusados estavam sob custódia da segunda, por exemplo.

Os procuradores dizem que os agentes do FBI que interrogaram os acusados na base da Baía de Guantánamo em 2007 não tinham relação nenhuma com as torturas que os suspeitos sofreram nos anos anteriores.

Em junho deste ano, um novo juiz, coronel W. Shane Cohen, assumiu o processo. E ele vai decidir se as interrogações feitas pelo FBI são válidas.

Em setembro, começam as audiências. Elas vão até março do ano que vem.

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